Eu já vi esse filme antes. Nos anos 90, participei de projetos em que conselhos aprovavam investimentos milionários em ERP acreditando que a tecnologia resolveria a desorganização operacional.
Os benefícios apontados na grande maioria dos Business Cases eram sempre parecidos: “Agora teremos controle.”, “Teremos integração.”, “Teremos previsibilidade.”
Alguns poucos tiveram sucesso. A grande maioria não.
O padrão que se repete
Implementações de plataformas como SAP ERP, Oracle ERP e, anos depois, Salesforce CRM, tinham um ponto em comum: o problema raramente foi o sistema. O padrão dos sérios equívocos era outro: projeto tratado como TI, não como transformação; processos ineficientes apenas digitalizados; dados inconsistentes; patrocínio executivo superficial; usuários resistentes; ROI prometido em slides, não na prática.
Resumo: A organização não estava pronta.
Depois veio o BI, depois o RPA, depois a “Transformação Digital” e agora o nome da promessa é IA. E o entusiasmo me soa familiar porque vejo: empresas implantando Copilots, ChatGPT, Gemini sem saberem ao certo o que esperam; aspectos jurídicos deixados de lado; squads técnicos liderando discussões estratégicas; pressão por retorno imediato; ser IA oriented porque é… cool.
O alerta
A IA não apenas automatiza processos. Ela influencia decisões, altera priorizações, impacta alocação de capital.
Ao longo de mais de três décadas transitando entre tecnologia, estratégia, modelos de negócio e pessoas aprendi uma lição simples: Tecnologia não substitui a estratégia.
Se a liderança é forte e estratégica, a IA acelera vantagem competitiva. Se a gestão é confusa, a IA acelera o caos.
Revendo os objetivos
- O ERP veio para integrar processos.
- O CRM veio para integrar relacionamentos.
- A IA veio para integrar inteligência.
Mas nenhuma dessas ondas tecnológicas resolveu, sozinha, problemas de liderança.
A IA não será um divisor entre empresas tecnológicas e não tecnológicas. Será um divisor entre empresas estrategicamente maduras… e as que apenas seguem a euforia do momento.
Qual vantagem competitiva específica sua empresa quer construir?