Durante décadas, esperamos que um CEO tivesse respostas. Como se ele fosse um oráculo.

Era quase uma condição do cargo. Conhecimento profundo do mercado, capacidade analítica, visão estratégica e rapidez para decidir eram características indispensáveis.

Eu mesmo, quando comecei a ocupar cargos executivos, pensava dessa maneira e fazia de tudo para ocupar o meu cargo nessa condição que era esperada.

Essas competências continuam importantes, mas se já era muito difícil alguém ter respostas para tudo, nos dias de hoje é humanamente impossível.

Estamos assistindo a uma mudança silenciosa na raiz da liderança. Atualmente as empresas precisam de um CEO que consegue criar as condições para que a melhor decisão apareça.

Essa diferença entre quem toma as melhores decisões e quem cria condições para obter as melhores decisões parece sutil, mas transforma completamente a forma como conduzimos uma organização.

O ambiente empresarial tornou-se complexo demais para depender exclusivamente da inteligência individual, por mais experiente que seja o executivo.

Nenhum CEO consegue acompanhar, sozinho, a velocidade das mudanças tecnológicas, regulatórias, geopolíticas, econômicas e comportamentais.

Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial avança rapidamente e passa a entregar análises, projeções e informações em um nível que, poucos anos atrás, exigiria grandes equipes especializadas.

Se a informação está cada vez mais acessível, onde passa a figurar a vantagem competitiva?

Figura na capacidade de aprender mais rápido que os outros e fazer mais rápido que os outros. Essa dupla competência de aprender e fazer, muito rápido, é o que tem um forte peso no aumento da qualidade do processo decisório.

Aquele ditado “a pressa é o maior inimigo da perfeição” está ultrapassado. Qual é a definição de perfeição atualmente no mundo dos negócios?

Tenho percebido que as organizações mais resilientes não são necessariamente aquelas que possuem os líderes mais brilhantes.

As organizações mais resistentes, flexíveis e adaptáveis, são aquelas que desenvolveram um sistema para produzir decisões melhores.

Isso significa obter e reunir perspectivas diferentes antes de decidir.

  • Equipes de Alto desempenho
  • Grupos de Líderes externos
  • Conselhos

Estimular divergências construtivas. Questionar premissas que pareciam inquestionáveis. Isso já falávamos há muito tempo com outra roupagem: pensar fora da caixa, quebrar paradigmas.

Isso não funcionou muito bem porque muitos CEOs eram os guardiões das respostas perfeitas (as suas).

Para que essa reunião de perspectivas diferentes funcione bem, é necessário separar fatos de interpretações, além de, como tenho escrito em outros artigos, usar a Inteligência Artificial para ampliar hipóteses, e não para substituir julgamento.

Liderar significa desenhar um ambiente onde boas decisões aconteçam naturalmente. Liderar é montar um grande time, se preocupar com esse time, se preocupar com a empresa, e não se preocupar com seu próprio ego e poder.

Essa talvez seja uma das maiores evoluções necessárias da liderança contemporânea.

O CEO deixa de ser o principal solucionador de problemas, e passa a ser o arquiteto e orquestrador de um sistema capaz de resolver problemas continuamente.

Na prática, isso exige situações que nem sempre são confortáveis para o CEO:

  • Menos necessidade de controlar todas as respostas
  • Não se posicionar como “quem sabe tudo”
  • Não aceitar e demonstrar suas vulnerabilidades
  • Não ver valor em participar de grupos externos para seu crescimento
  • Não aceitar no seu time alguém melhor do que ele
  • Mais disposição para fazer perguntas melhores
  • Admitir que ouvir e tão importante quanto falar
  • Admitir menos dependência da autoridade hierárquica
  • Confiar mais na inteligência coletiva

Em um mundo onde a tecnologia acelera tudo, a vantagem competitiva mais difícil de copiar talvez seja justamente a forma como uma organização pensa, aprende e decide rapidamente.

Isso começa na cultura construída pelo líder, desde que ele seja esse líder atual, relevante.