Começo um novo ciclo profissional em uma organização americana, presente em aproximadamente 40 países e que valoriza preparação, contexto e alinhamento antes de acelerar. Nesse mesmo kickoff, um tema recorrente voltou à pauta: vulnerabilidade na liderança, para mim amplamente discutida, mas ainda pouco internalizada na prática.

Mais um dia marcante

Em 18 de março de 2026 participei da minha primeira reunião na nova empresa. Um encontro ainda sem aprofundamentos técnicos, mas extremamente rico em sinalização cultural. Meu foco agora é claro: mergulhar nesse período de adaptação, absorver, entender e calibrar antes de executar.

Durante a conversa, o tema vulnerabilidade surgiu de forma natural. Escrevi sobre isso em 2020 e, ao revisitar o conteúdo em 2024, percebi algo desconfortável: a narrativa evoluiu, mas o comportamento não acompanhou.

O problema real com vulnerabilidade

A verdade é que ainda operamos em um modelo onde vulnerabilidade é bem-vinda… desde que não seja real. Vulnerabilidade não se reporta em dashboards — ela se manifesta (ou não) na qualidade do ambiente. É percebida na segurança psicológica, na abertura ao erro e, principalmente, na postura da liderança.

E aqui está o ponto crítico: a maioria dos líderes ainda evita expor vulnerabilidades porque associa isso à perda de autoridade, à fraqueza.

Vulnerabilidade, na prática, não é exposição descontrolada — é clareza sobre limites, contexto e dependência do coletivo. É o reconhecimento de que: você não tem todas as respostas, erro faz parte do processo de alta performance, pressão, dúvida e incerteza são inerentes ao papel, e resultado sustentável é sempre coletivo, nunca individual.

Em ambientes altamente competitivos, essa consciência deixa de ser “soft skill” e passa a ser vantagem competitiva.

Um ponto pouco discutido

Buscar ajuda não é sinal de fragilidade. É uma disciplina de liderança. Executivos de alto nível operam com sistemas de suporte: mentoria, coaching, feedback estruturado, terapia e grupos de pares. Não porque estão em dificuldade, mas porque entendem que performance isolada tem limite.

Se existe uma mudança real a ser feita ela é simples, mas profunda: liderança não é mais sobre provar valor individual. Liderança é sobre criar as condições para que o valor coletivo emerja.